top of page

CHORO EM JUNHO: LUCIANO MAIA E GRUPO CARQUEJA REGRAVAM "GAÚCHO (CORTA JACA)" AO VIVO EM PORTO ALEGRE

  • Foto do escritor: Music Stream
    Music Stream
  • 17 de jun.
  • 2 min de leitura

Do Sul, um tributo bem brasileiro à pioneira Chiquinha Gonzaga Quando o frio aperta nas ruas de Porto Alegre e as fogueiras juninas começam a iluminar o Brasil de Norte a Sul, chega aos ouvidos uma gravação especial para movimentar os pés e esquentar o coração: Luciano Maia e o Grupo Carqueja lançam sua regravação ao vivo de "Gaúcho (Corta Jaca)", o clássico choro-maxixe de Chiquinha Gonzaga, registrado com toda a energia de um palco gaúcho em julho de 2025.

A escolha do mês de junho para o lançamento não é casual. É a estação em que o Brasil celebra suas raízes com mais força — nas quadrilhas, nas bandas de pífano, nas cantorias e rodas ao redor do fogo. E é justamente nesse cenário de festa e pertencimento cultural que o choro reivindica seu lugar como uma das expressões mais sofisticadas e genuínas da música popular brasileira.

Uma obra à frente do seu tempo



Francisca Edwiges Neves Gonzaga — a Chiquinha —

foi, no final do século XIX, muito mais do que uma compositora talentosa. Foi uma contrabandista de culturas. Mulher, negra, separada do marido numa sociedade conservadora, ela transitou com ousadia entre os salões elegantes e as festas populares do Rio de Janeiro, costurando em suas composições o lundum africano, a polca europeia, o maxixe das ruas e o choro dos chorões. "Gaúcho (Corta Jaca)" é um produto direto dessa alquimia: uma peça que carrega no título uma referência ao Sul do país e no ritmo toda a efervescência carioca da sua autora.

O Sul interpreta o Brasil

Numa virada curiosa e simbólica, são dois artistas autorais do Rio Grande do Sul — terra conhecida internacionalmente pela tradição da música gaúcha e do nativismo — que escolhem homenagear a obra de uma compositora carioca do século passado. Luciano Maia e o Grupo Carqueja não apenas interpretam a peça: eles a recebem, a respiram e a devolvem ao público com a marca de quem tem história musical própria para oferecer ao diálogo.

A regravação ao vivo em Porto Alegre adiciona uma camada especial ao fonograma. O ambiente, o rigor do frio gaúcho, a respiração da plateia — tudo isso entra na equação sonora e transforma a escuta numa experiência que vai além da reprodução fiel de uma partitura. É choro com sotaque do Sul, executado com primor, sem abrir mão de nenhuma vírgula da composição original.

Música instrumental como ponte

"Gaúcho (Corta Jaca)" pertence a essa rara categoria de obras que funcionam como pontes: entre o instrumental e o popular, entre o regional e o nacional, entre o passado e o presente. O choro tem o poder de comunicar sem palavras — e talvez seja exatamente por isso que atravessa séculos sem envelhecer, encontrando sempre novos intérpretes à altura do seu legado.

Neste junho, enquanto o Brasil dança, canta e celebra ao redor das fogueiras, Luciano Maia e o Grupo Carqueja nos lembram que a melhor festa junina pode muito bem ter choro ao vivo, tocado com maestria, vindo do extremo Sul do país.

Aumente o volume. Dance. Chiquinha Gonzaga merece.




Ouça "Gaúcho (Corta Jaca)" — Luciano Maia e Grupo Carqueja, ao vivo em Porto Alegre — disponível nas plataformas de streaming. Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/0OINqe08GSsP83OxI7yhaj?si=RUP470prRkutgtgXjS8kuA



 
 
 

Comentários


bottom of page